- Desçam por favor, eu já vou conversar com vocês. - Luan falou em tom baixo e a família dele assentiu saindo.
Luan se virou e me olhou pensativo. Tomei a iniciativa e fui até
ele.
- Você está bem? - indaguei tocando no seu braço tenso que foi
relaxando aos poucos debaixo da minha mão.
- Volta a dormir, Alexa. Está tudo bem, não fica preocupada.
- Quem é ela? - perguntei curiosa e Luan suspirou.
- Ninguém que você conheça e tenha de se preocupar. Volta a dormir,
tá bom? - me olhou cuidadoso e assenti.
- Se você quiser conversar, estou aqui.
- Obrigado, eu volto já. Agora dorme, vamos
começar uma semana de shows e quanto mais você descansar melhor.
- Você também precisa descansar, então vê se não demora. - ele
assentiu sorrindo.
Luan se aproximou e me deu um beijo na testa. Ri com o seu gesto,
Luan estava diferente daquele mandão e teimoso que sempre era.
- O que tem tanta piada? - perguntou semicerrando o olhar para mim.
- Nada. - virei costas e voltei para a cama, ainda rindo.
- Quando eu voltar você irá me dizer. - ameaçou e ri negando -
Não? Isso é o que veremos.
Voltei a me deitar mas já não conseguia dormir. Luan tinha deixado
a minha mala daquela noite ali no seu quarto, me levantei e, depois de pegar
nas minhas coisas, fui para o banheiro, um bom banho é a melhor forma de
começar o dia.
Enxaguava o meu cabelo quando senti mãos na minha cintura. Me
assustei mas aquele toque era conhecido por mim - Luan.
- Sou eu, desculpa te assustar. - me virei para o olhar e reparei
que ele estava nu. - Eu preciso de você agora. - o seu membro cutucou a minha
cintura e ofeguei assentindo.
- Também quero sentir você. - admiti e Luan sorriu antes de me
beijar.
A maneira como ele me tocava demonstrava uma necessidade enorme,
como se aquilo fosse uma forma dele esquecer e escapar do que lhe aconteceu
antes.
Quando voltámos para o quarto embrulhados em toalhas, Luan parecia
mais calmo e relaxado.
- Você ainda não me disse do que estava rindo. - me encarou com um
sorriso de canto e ri fraco.
- Já esqueci. - menti.
- Não me parece que você esqueceu mesmo. - se aproximou um pouco e
dei alguns passos para trás. - Você vai me dizer a bem ou a mal? - me prensou
na parede com ambos os braços ao lado do meu tronco.
- Eu já não lembro, estou falando sério.
- Lembra do castigo que eu te prometi? Ele pode piorar se você não
contar a verdade. - me olhou sério e engoli em seco, ele estava mesmo disposto
a me castigar e, confesso, que estava curiosa para saber o que ele tinha em
mente.
- Eu ri da sua maneira de ser, você foi fofo comigo. - admiti com
vergonha e ele arregalou os olhos surpreso, talvez não deu conta de como me
tratou.
- Você achou que eu fui fofo?
- Achei, o Luan que eu conheço não é assim com as mulheres, o
máximo que você faria era me mandar dormir, mas você mostrou preocupação e até
me deu um beijo na testa. - ri fraco e ele me acompanhou.
- Sortuda você hein? - zoou - Não são todas que têm direito a
isso. - piscou o olho e se afastou um pouco - Mas também não são todas que
recebem castigos, você é mesmo sortuda.
- Ou azarenta. - fiz uma careta e ele riu.
- Acho que estar presa a uma cama recebendo prazer não é tão ruim
assim. - estreitou o olhar para mim.
- Estar presa... - repeti sentindo o quão fortes aquelas palavras
eram, me fizeram arrepiar.
- Aham, isso é só um começo do que quero fazer com você, agora se
arruma, temos uma viagem em menos de uma hora.
***
Luan foi a viagem toda calado, eu via o quão distante o seu olhar
estava.
- Boi cê vai ficar assim sempre? - Rober perguntou chamando a
atenção de Luan.
- Assim como? - respondeu ainda meio distraído.
- Pensativo, preocupado. O seu pai me falou o que aconteceu, ela
não vai chegar perto.
- Como você sabe? Ela estava perto do meu condomínio, o que ela
quer afinal? Por que ela voltou? - questionou nervoso.
- Não sei, mas ela não pode fazer nada. Ela está proibida de
entrar no condomínio e não é tão fácil ter contacto com você. - desviei o olhar
para a janela mas continuava ouvindo a conversa deles e ficava cada vez mais
curiosa.
- Se ela quiser falar comigo eu falo com ela, não tenho medo, mas
não a quero ver mais na minha vida. - Luan disse suspirando fundo.
- O seu pai vai avisar a segurança para ficarem mais atentos,
independentemente do que ela veio aqui fazer, não vai ter sucesso.
- Espero bem que não. Já se passaram anos Rober e ela ainda mexe
comigo, mas agora de um jeito ruim. - Luan admitiu - Espero que ela não mexa
com ninguém próximo de mim. Eu acho que perderia a cabeça se estivesse cara a
cara com ela.
- Não fala isso, você já passou bastante por causa dela, ela não
pode te afetar mais. Não pensa nisso. Você quer alguém esta noite? - Rober
perguntou e olhei os dois automaticamente.
Luan me olhou e voltou a encarar Rober,
- Não, não preciso de ninguém. - respondeu e me senti aliviada.
Depois de transarmos de manhã se ele quisesse alguém esta noite, iria ser tão
mau como daquela vez em que ele chamou a Tati. Fiquei feliz por ele levar em
conta e respeitado os meus princípios.
- Tudo bem, se mudar de ideia me avisa.
Chegámos em Minas na hora do almoço e Luan pediu para parar num
restaurante. Ele estava com saudades de comida mineira e, depois de comer tudo
que queria, parecia bem mais alegre e despreocupado.
O show de hoje estava chegando e depois de me arrumar fui ter com
Rober para ele me dizer o que eu tinha de fazer naquela noite. Apenas teria de
conferir se o camarim estava com tudo que foi pedido e distribuir as pulseiras
pelas vencedoras das promoções que conheceriam Luan.
Quando ele atendeu a última fã, pediu para que o acompanhasse até
ao seu camarim. Ele trocou a camisa e se sentou a meu lado bebendo água.
- Quando você chegar no hotel pede um café bem forte para a gente.
- Café? - perguntei não entendendo nada do que ele queria fizer.
- Sim, café. Depois sobe até ao meu quarto, eu já terei tomado
banho e estarei pronto para te castigar.
- E o café é para quê mesmo?
- Para a gente ficar acordado a noite toda.
- Você não precisa fazer isso Luan, que ideia doida querer me
castigar. - me levantei mas ele me puxou e caí no seu colo.
- Não ouse me desobedecer novamente, senão eu farei questão de ir
até ao seu quarto e te dar o que você merece. - me ameaçou e engoli em seco.
Nunca ninguém me tratou assim, nem sei se é bom ou ruim. Ele disse que iria me
prender, será que Luan tinha gostos peculiares como o Christian Grey?
- Você vai me magoar? - perguntei assustada e Luan riu.
- Você está pensando que eu sou aquele cara de 50 Tons? -
questionou rindo da minha cara, como ele adivinhou o meu pensamento? - Eu não
sou assim Alexa, mas não posso negar que ter uma mulher presa à minha mercê não
me agrada.
- Então nada de chicotes, de olhos vendados, de violência...
- Olhos vendados, talvez. - me encarou - O resto não, mas não
queira saber demais, será melhor para você ir sem saber de nada.
- Isso não é nem um pouco bom de ouvir, Luan.
- Eu não te vou magoar, fica tranquila. - passou o nariz pelo meu
pescoço absorvendo o meu cheiro para si - Vê se amarra esse cabelo antes de ir
ter comigo.
Me levantou e fez o mesmo em seguida. Me ajeitei e Luan foi
aquecer a voz. Lembrei que Rober me pediu para conferir as garrafinhas de água
que ficavam no palco e saí indo fazer isso. O meu corpo estava quente, quase em
combustão, desejando o Luan e curioso para saber como seria a nossa
noite.
Aquele homem amável e divertido em cima do palco, cantando, não
era nem de perto o mesmo que iria acabar comigo durante a noite. Luan conseguia
ser aquela pessoa confiável e temível ao mesmo tempo. Mas eu sei que ser
carinhoso fazia parte dele, talvez parte do seu passado, mas ainda assim, fazia
parte de quem ele era e é.
***
Estava com uma bandeja com duas xícaras de café em mãos, o meu
cabelo preso e o meu coração batendo forte, enquanto caminhava até ao quarto de
Luan. Bati e esperei alguns minutos até ele abrir. Ele vestia apenas um calção
de malha deixando a barra da sua cueca aparecer. O seu cabelo estava molhado e
arrumado para trás com os dedos.
- Estou adorando tudo isso. - Luan disse quando passei por ele e logo
ouvi a porta bater.
- Adorando o quê? Me torturar?
- Não, você me obedecer. - pegou numa xícara e tomou o café de uma
vez me incentivando a fazer o mesmo.
- Que fique bem claro que eu estou aqui porque quero, não porque
você me intimou a isso ou como se eu estivesse, de facto, com medo do seu
castigo.
- E você não está? - ironizou e neguei. - Mentirosa. - me empurrou
para cima da cama. - Pode se despir. - pediu e ri fraco negando.
- Eu não vou fazer nada, se você me quer nua, faça você mesmo
isso. - o desafiei e vi um sorriso crescer em seus lábios.
- Você só piora a sua situação. - subiu para cima de mim colocando
uma perna de cada lado da minha cintura.
- Ah é? Hum, estou curiosa para saber como será.
- Você é uma garota muito má, sabia?
- Então me mostra o que as garotas más merecem. - Luan riu fraco e
passou a mão por cima dos meus seios ainda cobertos pelo tecido do
vestido.
- Levanta os braços. - ordenou e engoli em seco pensando que ele
iria me prender - Quero ver o seu corpo debaixo desse vestido. - explicou e
respirei com alívio.
Ele passou o tecido pela minha cabeça me deixando apenas de
lingerie. Pensei que isso fosse o suficiente por enquanto mas ele também tirou
o meu sutiã.
- Fica com os braços levantados ainda. - fiquei tensa - Que cara é essa, ruivinha?
Você não estava toda corajosa e provocadora há pouco?!
- Continuo assim, não estou com medo.
- Você continua mentindo. - reprovou a minha ação - E eu vou te
prender agora mesmo. - me puxou mais para cima e agarrou os meus pulsos os
levando até à cabeceira da cama onde os prendeu com o meu vestido.
- Está doendo. - menti, eu apenas não queria me sentir
tão impotente.
- Não está não. - apertou o meu mamilo e ofeguei - Está vendo,
você está bem e continua sendo uma mentirosinha. - disse antes de cair de boca
neles.
Gemi em frustração depois dele chupar os meus seios por uns cinco
minutos. Eles estavam duros e vermelhos e isso fez Luan sorrir convencido.
Desceu os beijos para a minha barriga e marcou-a com chupões, fez o mesmo com
as minhas coxas e, quando pensei que não tinha como piorar, ele afastou a minha
calcinha e passou a língua por toda a extensão do meu sexo.
- Luan... - gemi e ele me olhou.
- Você quer que eu pare?
- Não, mas não me tortura mais. - pedi e ele riu.
- Quem dá as ordens aqui sou eu. - bateu na minha perna e
estremeci - Se eu ouvir um gemido ou algo saindo da sua boca, eu juro que não
vou te deixar ter um orgasmo esta noite.
- Mas isso é impossível. - rebati.
- Por isso é que é um castigo, vai encarar ou prefere que tape a
sua boquinha? - me fuzilou e fechei os olhos.
- Você é um imbecil. - xinguei com raiva e ele riu me penetrando
com um dedo.
- Shhh. - me mandou calar antes mesmo de eu poder dizer alguma
coisa - Quero esses olhos bem abertos me olhando. - O encarei e todo o
meu corpo estava tremendo, eu nunca imaginei que passaria por algo assim.
Embora me assustasse eu estava gostando de ver Luan no comando me desafiando e
ameaçando.
Ele juntou mais dois dedos e mordi o meu lábio para me impedir de
gritar de desejo. A mão livre de Luan apertava a minha cintura e coxa deixando
a minha pele vermelha. Quando estava quase gozando, Luan parou e tirou os dedos
de mim. Abri os olhos a tempo de o ver com eles na sua boca me olhando com
satisfação.
- O que os seus olhos estavam fazendo fechados? - perguntou com
dureza na voz - Você queria mais?
- Você nem terminou o serviço, lógico que queria mais. - rebati em
provocação e ele riu.
- Nem irei terminar até que eu queira, eu é que mando, esqueceu? -
neguei bufando.
Luan se levantou e tirou o calção, em seguida tirou a minha
calcinha me deixando exposta para ele. O seu corpo cobriu o meu e senti o
volume na sua cueca se esfregar na minha intimidade.
- Nem experimenta gemer. - me avisou e mordeu o lóbulo da minha
orelha antes de atacar o meu pescoço. Aproveitei a sua proximidade e beijei o
seu ombro e pescoço.
Luan ofegou gostando dos meus lábios na sua pele. As suas mãos
apertavam os meus seios enquanto o seu quadril continuava remexendo me deixando
perto do precipício.
Mexi o meu quadril em compasso com o seu buscando algum tipo de prazer e libertação. Estava próxima quando o celular de Luan tocou e ele se
afastou.
- Não, não atende. - choraminguei e esfreguei as pernas uma na
outra frustrada.
- Eu vou entender e você vai afastar essas pernas agora, ou vai
ficar assim até amanhã.
- Você acha bonito me deixar assim, de repente? Volta aqui e
continua.
- Você não me dá ordens, e agora pernas abertas, ou vou precisar
de as prender também?
Luan pegou no celular e atendeu enquanto me encarava esfomeado.
Era Rober e parece que conversavam sobre a agenda do dia seguinte. Tinha
vontade de matar aquele baixinho. Quando ele desligou, vestiu novamente o
calção e uma camiseta e o olhei incrédula.
- O que você está fazendo? - perguntei desesperada e ele riu me
olhando.
- Tive uma ideia para te atormentar ainda mais, mas preciso
descer. Enquanto isso aproveita para descansar. - piscou o olho e saiu me
fazendo xingá-lo dos piores nomes.

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